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Journal d'une Femme de Chambre

Journal d'une Femme de Chambre

Olá, também estou na bloga

Olá, sou a Maria e tenho ouvido os meus senhores falar tanto disto da bloga que resolvi experimentar.

Sou uma dedicada empregada doméstica formada nos melhores hotéis de Paris, na França, para onde fui aos 13 anos com maman. Lembro-me bem de maman me ter dito emocionada à entrada do comboio - minha querida vou dar-te um grande futuro na França, nunca mais vais ter que trabalhar... Dias depois estava a ajudar a Maria Enjeitada a limpar a casa de umas dames muito finas. 

Maman encontrou na França o que procurava, o João do Moinho. Andava por lá fugido depois de ter deixado o pobre Zé Manco maneta. Foi um acesso de raiva que o cegou a meio de uma discussão por causa de uma malga de vinho. Não era mau rapaz mas, gostava da pinga e andava por lá, no bidonville, aos caídos. Maman tomava conta dele e defendia-o - Coitadinho, ele se pudesse trabalhava mas, é tão fraquinho - dizia. 

Com três meses de França maman já estava grávida, não arranjava trabalho, alguém tinha que tirar sustento. A Maria Enjeitada era uma rapariga despachada que já estava na França há mais de cinco anos. Aprendeu a falar Francês com as dames que apreciavam a sua modéstia portuguesa, já estava na França como se estivesse em casa. Quando chegamos ela estava à nossa espera e disse a maman que uma das dames para quem trabalhava estava grávida e queria arranjar uma moça para ficar interna depois do bebé nascer. Já tinha tudo tratado. Começava aos poucos, com ela, nas limpezas ía aprendendo francês e quando o bebé nascesse mudava-me.

Era uma vida dura saíamos do bairro de madrugada para trabalhar. Um mês depois o bebé nasceu e eu mudei-me. A minha pequena Amelie... cuidei dela até fazer 4 aninhos, só a deixava ao domingo à tarde quando ía ver maman e os dois irmãos que entretanto me arranjou. Aprendi muito naquela casa, a madame tratava-me como se fosse da familia, pagava bem e deixava-me levar, para maman, as coisas que não serviam à menina. Saí por coisas que depois vos hei-de contar. Assim que saí, como o ordenado que entregava a maman completo faria falta, tratei de arranjar outro emprego, fui para o meu primeiro hotel. Daí até à pensão onde trabalho hoje muitas coisas se passaram.

As minhas amigas estão sempre a dizer que podia escrever um livro com as minhas histórias mas, já ouvi dizer aos meus patrões que isso é caro, como sou pobre e isto dos blogs sai de borla eis-me aqui.

 

 

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